Japão detalha plano para atingir meta de neutralidade de carbono até 2050

É a primeira vez que o país detalha como pretende reduzir a zero as emissões de gases de efeito estufa. União Europeia aumenta meta de corte de emissões de gases estufa
O Japão, terceira maior economia do mundo, revelou nesta sexta-feira (25) um plano para atingir sua meta de neutralidade de carbono até 2050, por meio do aumento da participação das energias renováveis ​​e da redução do custo das baterias para veículos elétricos. Esta é a primeira vez que o país, cuja produção de energia depende fortemente de combustíveis fósseis, detalha como pretende reduzir a zero as emissões de gases de efeito estufa até meados do século XXI, meta que havia sido anunciada pelo primeiro-ministro Yoshihide Suga, em outubro.
Esta “estratégia de crescimento verde”, divulgada no site do Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês, estabelece em particular como “objetivo indicativo” que de 50% a 60% da eletricidade do país seja proveniente de energias renováveis ​​até 2050. Para efeito de comparação, o último plano de energia do Japão, de 2018, definia como meta de 22% a 24% até 2030, contra cerca de 17% em 2017.
O governo acredita que uma “mudança significativa” de mentalidade é necessária para entender que “políticas que levam em conta o meio ambiente não são um freio, mas um motor de crescimento”, declarou o porta-voz do governo Katsunobu Kato, nesta sexta-feira. Para alcançar uma “sociedade neutra em carbono, não apenas a indústria, mas também todo o Japão, incluindo o setor público e cada um de vocês, deve fazer o seu melhor”, acrescentou.
O governo ainda anunciou que dispõe de 30% a 40% do fornecimento de energia elétrica por usinas nucleares e térmicas (equipadas com sistemas de captura de CO2). Os 10% restantes seriam produzidos a partir de hidrogênio e amônia.
O Japão estima que seu consumo nacional de eletricidade aumentará entre 30% e 50% até 2050. Para atender a essa demanda, o governo deseja em particular desenvolver energia eólica offshore, tendo o país estabelecido uma meta de produção de 45 gigawatts deste mês até 2040, um salto gigantesco em relação ao 0,02 gigawatt atual.
Veículos elétricos
Junto à intenção anunciada no início de dezembro de proibir a venda de novos veículos a gasolina ou a diesel até meados da década de 2030, o governo também quer uma redução de 50% no custo das baterias para veículos elétricos nos próximos dez anos. Os anúncios devem enviar uma mensagem forte ao setor industrial sobre o desejo do governo de promover o crescimento verde e estimular o investimento do setor privado nessa direção, repercute a mídia japonesa.
Os números revelados, no entanto, são “um mau ponto de partida para discussões” e sinalizam “falta de ambição”, opinou Mika Ohbayashi, diretor do Instituto de Energias Renováveis ​​de Tóquio. Em vez disso, o Japão deveria definir um horizonte de 2030 para atingir sua meta de 50% a 60% de eletricidade proveniente de fontes renováveis, avalia a organização.
O instituto também considera que apostar na generalização das tecnologias de captura de CO2 nas próximas décadas é um erro. O Japão foi o quinto maior emissor de CO2 em 2019, de acordo com dados da plataforma online Global Carbon Atlas.
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